Nem vou recontar toda a história porque todo mundo acompanhou, ou melhor, todo mundo está acompanhando.
Tudo nessa história me impressionou. E essa agora da menina acabar expulsa da faculdade. E a gente saber que a faculdade ta se lixando prá menina. Enfim… Toda essa história é muito absurda.
Mas o que mais me incomodou foi um dos vídeos que eu vi em que dava pra se ouvir as meninas fazendo coro e xingando também. Nomes muito feios mesmo. Eu estava comentando sobre isso com um pessoal. Refletiamos eu e uma amiga sobre que tipo de mulher concordaria com algo assim quando o filho dela, de uns 15 ou 16 anos soltou essa pérola: “Ah, tia, só deve ter baranga naquela faculdade!”
Eu sempre odiei essa palavra. Sempre desconfiei do seu significado. Sei lá o que é uma “baranga”… Pode ser uma mulehr muito gorda, ou muito magra, ou muito velha… Aqui do alto dos meus 48 anos sempre achei que seria mais confortável não saber mesmo o significado. E agora mais do que nunca porque tá começando a menopausa e qualquer coisa deprime, né?
O menino disse aquilo e eu fiquei cismando na minha cabeça. É… Isso é “umas barangas” mesmo. Sei lá. Não vi a cara delas, nem o filho da minha amiga viu. A gente ouve elas xingarem no vídeo. Mas eu acho que baranguice deve ser assim mesmo uma coisa como uma tia velha, cheia de recalques, invejosa e com problemas sérios de autoestima.
Porque aqui com meus botões eu penso que as meninas estão realmente se expondo muito. Vivo pegando no pé das funcionárias da loja pra elas não vestirem roupas decotadas, nem saias muito curtas. Não acho que essa exposição seja uma coisa legal mesmo. Acho que desvaloriza a mulher. Não precisamos disso.
Mas… A verdade é que com vinte e poucos eu não usava minissaia. Em compensação usava aquelas calças hiper super justas, com uma camiseta baby look grudada no corpo. Acho que nenhuma lei da física explicaria como é que a gente entrava naquelas roupas. Mas a gente curtia. Fazer o que?
Então, eu acho que a menina não precisava mesmo ir com uma roupa tão curta na faculdade. Eu não iria. Acho deselegante. Mas com toda a certeza mais deselegante ainda foram os palavrões que aquelas meninas falavam. Se eu estivesse naquela faculdade, eu defenderia o direito de uma mulher usar o que bem entender sem ter que ser vítima de nenhum tipo de assédio. Sinceramente, acho que aquelas moças morreram de dor de cotovelo.
E fico pensando o que vai acontecer agora… Como elas vão se vestir para ir a faculdade com os trajes que adequados? O “curta” da saia curta é uma medida relativa, né? E agora elas estão ali sujeitas a vontade dos caras. Elas serão desrespeitadas da mesma forma. E se acontecer de fato um estupro naquela faculdade ainda vamos ter que engolir trata-se de um “estupro consentido”.
Parece demais? Não é.
Elas tem que se sentir muito feias, muito “barangas” pra apostar que jamais serão vítimas daquele abuso.
Tudo “umas barangas” mesmo… :p
Vá lá… Vivendo e aprendendo.